CARTA A UM JOVEM MARXISTA NATURALISTA!


(Observação: O e-mail é fictício, porém revela a realidade de muitos jovens universitários)
Olá Alexandre! Fiquei feliz em receber notícias suas e saber que sua jornada na universidade tem sido muito boa academicamente. De fato, você sempre foi muito estudioso!
Todavia após ler o seu e-mail fiquei preocupado com a sua empolgação com esta “nova visão de mundo”: o marxismo. Não sei se você percebeu, mas o marxismo tem princípios que são opostos a fé cristã, e como crescemos juntos na mesma igreja, tomo a liberdade de escrever com intuito de estabelecermos um diálogo sobre o assunto.
Percebi nos seus e-mails que um dos grandes atrativos para você foi a ideia de que o marxismo é a solução para estabelecermos uma sociedade justa e que de fato toda a dominação acontece porque o proletariado está sendo explorado pelo patrão, o detentor do meio de produção. Embora eu valorize o seu inconformismo com a exploração, preciso alertar que o marxismo é muito mais que isso e que ele não conseguirá fazer o que promete. O marxismo é uma visão de mundo naturalista e acredita que tudo o que existe no mundo é apenas matéria sem a necessidade de existir um criador. Este pensamento reduz o universo a um sistema fechado sem a intervenção de Deus. O homem em vez de ter o seu valor por ser a imagem e semelhança de Deus se torna apenas uma “máquina” complexa, que deixará de existir quando morrer! Penso que você que se encantou com o marxismo por achar que ele valorizava o pobre, perceberá que em última instância não valoriza o homem, pelo contrário, o torna apenas um amontoado de matéria.
Outra questão séria que você precisa considerar sobre o marxismo é o sentido da história que ele apresenta. Marx afirmava que o mundo se desenvolve através das lutas de classes e que, portanto, precisamos atuar como agentes históricos no presente para termos uma sociedade mais justa no futuro promovendo a revolução. Porém em uma cosmovisão naturalista a história é uma corrente linear de eventos ligada por causa e efeito, porém, sem uma proposta abrangente. Confiar em Marx para delimitar uma proposta pelo qual devemos viver é confiar demais em um homem. Aliás, porque deveríamos lutar por justiça se até a ética é apenas um construto social, pois se Deus não existe não há padrão normativo superior. Penso que não é sábio confiar em um homem como Marx que historicamente errou ao afirmar que os empregados ficariam mais pobres, ou então confiar cegamente em um sistema de mundo que quando empregado não estabeleceu a justiça, mas sim modelos ditatoriais como aconteceu na URSS e em Cuba. Sei que eles dirão que tais locais distorceram a ideia de Marx, mas acho que isso é uma saída fácil para não reconhecer que o marxismo como cosmovisão falhou no teste prático. Como diz Ronald Nasch “Cosmovisões deveriam não apenas ser testada em uma aula de filosofia, mas também no laboratório da vida”.
O marxismo não funciona porque ele dentre muitos erros desconsidera a realidade da queda e a existência do pecado, busca fazer um paraíso igualitário, antecipando aquilo que só Deus poderá fazer ao restaurar novos céus e nova terra. Portanto Alexandre, saiba que Deus existe, Ele é pessoal e fará sim justiça! Ele estabelecerá sim um paraíso, mas não através de uma revolução, mas através de recriação dos novos céus e nova terra, eliminando o pecado do mundo. Indico a você alguns autores que poderão enriquecer a sua abordagem cristã durante o tempo na universidade: Nancy Pearcey, Charles Colson, Ronald Nasch, Adalto Lourenço, Albert M. Wolters.
Ps. Prezado Alexandre, poderíamos conversar muito mais sobre a incompatibilidade do marxismo com o cristianismo, analisar por exemplo o chamado marxismo cultural e o seu ataque a tradição judaico-cristã, mas deixemos este assunto para um outro e-mail!
Um abraço.
Pastor Thiago de Souza Dias.